Peço desculpas pelo tempo abandonado, mas sou universitário, e precisei me dedicar a provas, seminários e trabalhos de conclusão de modulo! Mas volteeei.
Hoje vamos ler um texto incrível escrita pela maravilhosa e muito querida pra mim (ela sabe a influência que tem na minha vida pessoal), Sasha Zimmer!
O Preço do Salto
Indignações e coragem de uma drag consumidora
por Sasha Zimmer
“Quanto custa essa bolsa? Quanto custa esse anel?” Quanto custa o respeito?
’A necessidade do ser humano de julgar é tão grande e vazia quanto o desejo de produtos dos quais não fará uso. As relações interpessoais dos trangêneros com a sociedade comercial é vista de uma forma incomum.
Qual o problema de alguém ‘diferente’ comprar um produto? Nenhum! Não há diferença: há diversidade. E nela existem opiniões divergentes, como as dos acadêmicos, dos leigos e a de quem vive realmente na pele a ‘dor’ do desrespeito social. Tudo isso é jogo de palavras. Não adianta tentar explicar ou convencer quem está decido a não querer ouvir, entender ou aceitar a posição do outro. A grande realidade é que em um único ambiente haverá sempre opiniões, caráter e entendimentos diferentes das coisas.
Muito bem. Você às compras. Vai jogar com a sorte, torcendo para ser atendido por alguém que lhe respeite? Claro que não. Eu, sim. A não ser que você faça parte de um dos grupos vitimados pelo preconceito, você nem pensa nisso. Quem sente, então, na pele, como é ser um(a) transsexual (ou qualquer outro tipo de transgênero - vale lembrar que existe um leque muito extenso de transgêneros) ao ser ofendido? Só nós.
Educação e respeito são necessários independentemente de sua classe econômica, social, etnia ou crença. Somos ultrajados por simplesmente ter escolhido seguir nosso interior. Pois que fique aqui claro: Não escolhemos nascer assim, mas optamos por ser quem nós somos. E acredite: somos, sim, muito felizes por sermos quem escolhemos ser. Somos dignos e nossas escolhas não precisam das opiniões maldosas de quem não contribui em absolutamente nada com nosso bem estar. Sabe quanta dor se passa pra chegar até esse ponto? MUITA! Mas não desistimos, pois acreditamos em um futuro melhor e nós queremos estar presente nesse futuro. Nós construímos o presente e o futuro. Junto com você, inclusive.
Diante a tantos protestos – legítimos ou não - é lamentável perceber como a singela imagem de um abraço se torna tão grosseiro e desumano para os dos olhos de alguns membros da sociedade. Um abraço é um dos mais básicos gestos de carinho e afeto. De amor! E amor, esse sentimento puro e divino, precisa de julgamento? E então, se eu não posso nem comprar em paz, imagine abraçar. “Se alguém afirmar: ‘Eu amo a Deus’, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê.
1 João 4:20. Não sou eu quem diz, caros irmãos cristãos. Está na Bíblia.
1 João 4:20. Não sou eu quem diz, caros irmãos cristãos. Está na Bíblia.
Sabe, eu só quero poder andar na rua com a mesma naturalidade que vivo a minha vida. Quero ir até o shopping e comprar um chapéu, uma roupa, um salto. Eu disse que eu quero COMPRAR! Eu também faço a roda da economia girar! Mas quero – não, eu EXIJO – fazer isso sem ser descriminado por ser ou não um trangênero.
Aliás, homens deveriam usar salto. Eles não sabem o quanto é complicado se equilibrar em cima deles. Então, imagina o quão difícil pode ser eu me equilibrar em cima de uma sociedade julgadora e desprovida de respeito, amor e de conhecimento? Agora você acha que entende melhor o que eu sinto? Não, não entende: você não sente. Porque IMAGINAR isso ainda fica longe de VIVER, por mais empatia que você tenha.
Este mesmo ‘desentendimento’ acontece quando estou em um restaurante e preciso ir ao banheiro. Minha figura feminina não me dá o direito de utilizar um banheiro feminino... Então, me resta o masculino. Quer dizer: de nada me vale quem eu sou se isso não for registrado em um papel que comprove minha sexualidade? Eu só ‘sou’ se eu tiver um ‘atestado’ legal para poder ser? “Olá, por favor, chame o gerente porque preciso provar que sou isso ou aquilo”. Me poupe. Não quero um banheiro alternativo. Quero os mesmos direitos que todos têm. Não buscamos ter mais do que igualdade. Não queremos tratamento especial, nem glamour. A gente só quer o que é nosso por direito, como cidadãos que somos dentro desta sociedade - por mais que ela negue nossa existência.
É preciso dizer algo mais: nem todos nós somos vítimas, tampouco criminosos. É verdade que há os que não facilitam as coisas para nós. Corremos, todos os dias, alto risco de vida. Risco de violência de todos os tipos, como eu já disse. Apesar disso, não nos ‘vitimizamos’. Ao contrário: a gente defende nosso lugar no mundo, e este texto é prova disso. A gente age. Ninguém aqui vai se acovardar. Somos ativos na sociedade, pensamos e vivemos em comunidade. E já passou da hora de lidarem decentemente com isso.
Mas que fique claro: isso não isenta você, eu, todo mundo de praticar o respeito ao próximo, a boa educação e o mínimo necessário de entendimento sobre o livre arbítrio: somos quem somos e optamos por quem queremos ser! Somos porque somos!
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